
“Pelo menos a metade da nossa vida psíquica tem nosso ser noturno por teatro” (Jung).
Não duvidamos da importância do que vivemos em nossas experiências conscientes; por que, então, não considerar os desenvolvimentos inconscientes? Existimos também a partir e através deles. Não considerá-los como parte fundamental do crescimento é um modo de viver apenas um fragmento da vida.
Relacionar-se com os sonhos é considerar a existência de uma vida interna tão real quanto aquela que vivemos sob a luz do dia. Ainda que possamos ter notícias da força autônoma do inconsciente em nossa linguagem, em nossos corpos, em nossos laços e no que chamamos de “destino”, o sonho, com o seu arsenal de símbolos, é a exteriorização mais específica do inconsciente no consciente.
O sonho é a outra face da moeda, o que não enxergamos a olhos nus. É o nosso avesso, o mais fiel sobre nós, em beleza e terror. Retrata a situação íntima do sujeito, situação que o Eu prefere ignorar ou apenas a contragosto. O sonho não está a serviço dos quereres egóicos; o sonho denuncia as confusões e equívocos que o sonhador vive em sua vida diurna e revela a realidade interior como é; não como eu quero, mas tal como é.
Então, qual é o nosso trabalho com os sonhos?
Jung é taxativo na afirmação de que o inconsciente permanece sempre inconsciente. Por isso, não devemos abordar o sonho como colonizadores sedentos por respostas que confirmem o que já sabemos. Nos aproximamos desta terra desconhecida com a intenção de aprender com o “outro lado”. Nem o consciente nem o inconsciente “diz a verdade”. Estão numa dialética; é nesse sentido que os sonhos são compensatórios: contêm percepções, sentimentos e pensamentos que não foram assimilados pela consciência. Normalmente, esse vazio deixado no consciente é “preenchido por medo ao invés de inteligência” — inteligência aqui como a capacidade de simbolizar e reconciliar partes da psique.
Perguntamo-nos outra vez: o que fazer com esse universo de forma, cor e sentimentos que aparece na vida noturna? Escutá-los, na intenção de manter viva a relação entre as partes da psique. Essa atitude é, em outras palavras, escolher uma posição diante da vida. Tal compromisso é o que mais corresponde à ideia de existir em sua própria totalidade.
COMO FUNIONA O GRUPO?
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Este grupo não se trata de um curso teórico, mas de um espaço de trabalho coletivo com as imagens oníricas
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Encontros quinzenais, segundas-feiras, 19h30–21h30.
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Vagas: mínimo 3, máximo 6 participantes.
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O grupo se inicia quando atingida a quantidade mínima e segue enquanto houver interesse dos participantes, funcionando como um processo vivo de escuta e compartilhamento
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Destinado a pessoas interessadas em experienciar e se aproximar dos sentidos das imagens oníricas em um processo grupal, tendo como base a Psicologia Junguiana.
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Alguns textos serão sugeridos como material de apoio. O grupo aposta em um saber construído na experiência coletiva, permitindo que leituras sejam incluídas quando temas emergentes surgirem da vivência compartilhada.
